Psicólogo Murillo Rodrigues

Psicólogo (CRP 09/9447)| Professor | Pesquisador

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Eu nunca consegui te esquecer... mas preciso, urgentemente!


Era o primeiro dia de aula de João no cursinho pré-vestibular, um menino de 16 anos de idade, que acabava de chegar a sua escola nova e não conhecia ninguém, em um dia que nunca mais seria esquecido: ela a conheceria!

Ela entrou pela porta da sala de aula, com uma blusa cor de laranja e os cabelos tão negros quanto a escuridão da noite: ali acontecia, naquele momento, algo estranho – ele nunca tinha olhado para uma garota como havia olhado para ela antes. Uma jovem baixinha, bonita, com o sorriso encantador. As defesas de João logo se levantaram: “deve ser chata, uma pessoa tão bonita assim não pode ser legal”. Engano o dele pois não precisou de duas conversas para saber que aquela pessoa era perfeita: simpática, educada, alegre e com um sotaque charmoso que ele nunca tinha visto – e que fazia o seu coração bater forte como nunca antes.

João era tímido, sabia que ele nunca teria chances com aquela pessoa, pois ela era algo tão sublime e intocável para ele que, qualquer coisa que ele fizesse nunca seria suficiente para dizer para ela aquilo que ele sentia. Depois de quase um ano convivendo com aquela jovem, João criou coragem, pois não aguentava mais conviver com aquele sentimento e se declarou: “você é o que de mais próximo da perfeição divina que há na natureza humana” – e falou de todos os seus sentimentos.

A pequena jovem havia ficado surpresa, porque não imagina que poderia despertar em uma pessoa um sentimento como aquele, e meio sem ter o que dizer, confortando João, deu-lhe o golpe emocional: eu tenho um namorado, e acabei de passar no vestibular de uma universidade em outro Estado, estou indo embora e vou me casar.

Martha era uma criança quando ainda estava na cidade do interior e conheceu um menino de que usava calças curtas e corria descalço pelas ruas da cidade rodando pneus velhos de carro e correndo atrás de pipas... com pausas esporádicas para jogar gude. Ela não tinha nenhum tipo de malícia, e com 8 anos de idade, fez este menino de cabelos encaracolados o seu amigo: eles iam para todos os lados, brincavam de salva cadeia, balança caixão, pique esconde... e cresceram felizes como amigos numa cidade do interior, até que um dia...

Duas semanas antes de fazer seu aniversário de debutante, Martha estava preocupada sobre como as coisas estavam começando a acelerar na sua vida: seu corpo estava mudando para contornos mais adultos, e apesar de ainda conservar um pouco da falta de malícia de adolescente que ainda tem o pôster de sua banda favorita no quarto, tinha em sua mente já desperta a preocupação do príncipe que a acompanharia em seu baile: haveria de ser alguém especial.

Não precisou pensar muito até que se lembrasse do já não pequeno garoto de cabelo encaracolado, que agora estava já com algumas espinhas no rosto e com o cabelo espetado com um topete moderno: ele era seu melhor amigo, sabia de tudo o que ela gostava, e a fazia rir o suficiente para que ela não ficasse tão nervosa a ponto de tropeçar em seu vestido durante a valsa. “Você quer se o meu príncipe do baile?”, perguntou Martha ao jovem em uma noite em que estavam juntos passeando pela praça da cidadezinha do interior (sim, parecendo aqueles filmes clichês, mas a vida tem muitos clichês), ele disse que sim, e a surpreendeu com um inesperado beijo.... “Você é meu amigo”... “Mas amigos também beijam”, respondeu o jovem.

Apesar do susto inicial, Martha gostou daquela iniciativa, e passou a semana toda pensando naquilo, apesar do fato de que o jovem, ainda que gostasse de Martha, parecia estar agora descobrindo um pouco sobre as malícias da vida: continuava sendo um bom garoto, bom companheiro, mas parecia estar mais interessado em descobrir as novidades da adolescência daquele período.

Passou o aniversário, os jovens “ficaram” por três meses até que chegasse a notícia: estou indo para a capital, e não nos veremos mais a partir de amanhã. Em uma época em que não existia internet, e que a comunicação era tão mais difícil, aquele havia sido o decreto para o fim daquele relacionamento... que Martha sempre levaria consigo.

O que há de comum entre estes dois personagens?
Eles amaram, se apaixonaram e por algum motivo do destino não puderam viver estes sentimentos conforme as suas expectativas ou vontades, e ficaram com um sentimento que parece nunca ir embora...

O tempo passou e saudade aumentou, de vez enquanto ainda encontram algum resquício da vida daquelas pessoas queridas, ou mesmo recebem notícias distantes a respeito delas, até sonhando em alguns momentos com estas pessoas. No passado já, inclusive, choraram por elas, mas descobriram que as lágrimas, de alguma forma não mudariam a sua situação.

Esta situação vividas por estes dois personagens fictícios, pode ter semelhança com a vida de algumas pessoas (talvez até da sua que está lendo este texto), ainda que não nas circunstâncias mas no sentimento, e isso deve nos levar a refletir sobre...

O que fazer para esquecer uma pessoa que tanto amei


“Como é que eu posso ser amigo de alguém que tanto amei, se ainda existe aqui comigo tudo dela, e eu não sei” Chitãozinho e Xororó

Só se você tiver amnésia, minha amiga e meu amigo... Esquecer uma pessoa, situação ou sentimento que foi relevante em nossa vida é algo muito difícil: nem mesmo em casos de hipnose se consegue fazer isso em muitos momentos, por um fato simples que explico no próximo parágrafo (tenha paciência para ler, não escrevo de forma muito linear).

Essas pessoas mexem com todo o sistema simbólico e afetivo da vida daqueles que as amam – não pelo fato de serem seres iluminados, mas porque são contingencialmente desenvolvidas para preencher todos os pré-requisitos que foram forjados no inconsciente de seus crushes.

“Como assim?”

Desde que nós nascemos, vamos nos desenvolvendo com base nas relações que estão ao nosso redor, e as nossas fantasias a respeito de como será a nossa vida começam desde muito cedo: lemos nos contos de fadas que o príncipe encontrará a princesa em seu cavalo branco e que haverá algum incidente durante a história que deverá ser superado para que estes possam viver felizes para sempre. E para além dos contos de fadas, aprendemos também com as relações de nossos pais, ou de pessoas que admiramos e que serviram de modelos para nós....

Depois disso, vem os nossos amigos, a mídia com seus ideias de beleza, e muitas outras coisas que vão gerando expectativas em nós, que se “internalizam” de uma forma a gerar padrões e expectativas que muitas vezes não são acessíveis de forma direta à nossa consciência.... ou seja, nós não sabemos porque somos atraídos por aquela pessoa, só nos SENTIMOS ATRAÍDOS POR ELA.

Mas este sentimento, obviamente não vem do nada, e não permanece do nada: temos que encontrar uma pessoa boa o suficiente para nos mostrar que nós encontramos uma possibilidade real de amar alguém... mas é neste ponto, diante da impossibilidade de consumar o sentimento com a pessoa amada, que temos duas escolhas:

ESCOLHA 1: FICAMOS OBCECADOS NA PESSOA, OU;

ESCOLHA 2: RESPEITAMOS A LIBERDADE DESTA PESSOA ESCOLHER.

Você está obcecado em alguém?
Se você quer aquela pessoa a todo o custo e faria tudo para estar com ela, tome cuidado: não há nada de romântico nisso! Minha experiência enquanto psicoterapeuta e enquanto ser humano me mostra que todo amor passa pelo crivo da liberdade e da responsabilidade, ou seja, se você precisa desrespeitar a pessoa em suas escolhas (de estar ou não com você), precisa tramar situações para fazer aquela pessoa te querer, largar de seu namorado, esposa, há algo de perigoso e estranho nisso!

Aprendi de uma grande professora que o amor é um exercício de encontro: você precisa encontrar e ser encontrado no mundo, não basta somente encontrar a pessoa, ela também deve te encontrar. Se por acaso isso não acontecer, pense na opção numero dois...

Amar sem esperar nada em troca
Simplesmente aprenda a ressignificar sua forma de ver o amor, pois ele pode estar muito contaminado por um ideal pintado pela mídia: os sentimentos não precisam ser irracionais ou estar em um eterno conflito com seus pensamentos/racionalidade – é preciso sentir, mas com responsabilidade.

Logo, ao invés de pensar “meu Deus, eu perdi aquela pessoa, nunca mais vou ser feliz”, você pode fazer um exercício de cultivar outros pensamentos como “sou muito feliz por esta pessoa, mesmo que distante de mim, esteja feliz” ou “o simples fato desta pessoa existir é suficiente pois o universo precisa de sua beleza/bondade (ou qualquer outro adjetivo) para ser melhor”.

Ou seja, é possível sim amar uma pessoa, sem cobiçá-la ou mesmo sem estar apaixonado com os quatro pneus travados e arriados por ela. Viva simplesmente na esperança de que aquela pessoa será feliz e que viverá bem, quem sabe assim você não deixa de alimentar pensamentos obsessivos e se abre para outras possibilidades de conhecer outra pessoa legal e aprender a ter um novo amor.

E daí que vem a diferença

Nem todo amor é igual...


Alguns amores são mais maduros, outros intempestivos, outros são sofredores, alguns são inseguros, outros não. Mas todo amor é altruísta, é um ato de entregar-se para o outro.

A língua portuguesa, infelizmente, é muito pobre para expressar a diversidade conceitual que existe por trás da palavra amor, e eu fui encontrar bons exemplos para isso lá no grego antigo, que diferenciava pelo menos quatro formas básicas de amor:

·         Eros: um tipo de amor sexual, geralmente ligado aos desejos corpóreos, e que era expressado de forma mais libidinosa entre um casal. Desta palavra que se origina o termo “erótico”.
·         Phileo: é um tipo de amor ligado à fraternidade, ou seja, à amizade entre os seres humanos, a uma comunhão entre amigos que são quase irmãos.
·         Ágape: era considerado uma forma de amor de uma pureza divina, desprovida de interesse segundos, altruísta.
·         Storge: um tipo de amor que era ligado dos pais para com os filhos, a sua prole.
Ou seja, desde a Grécia antiga que já se sabia que nem todo amor era igual, mas o que ocorre é que em nossa sociedade moderna, de fala portuguesa, esta diferenciação não parece tão clara. E para além destes tipos de amor, o grego ainda conhecia um tipo de vocábulo conhecido como “Epithumia” que era um tipo de desejo que de tão forte fazia as pessoas cometerem sandices para a realização deste.

Desta forma, o que estou querendo dizer com isso, é o fato de que você não precisa esquecer uma pessoa para viver bem com seus sentimentos, mas que você pode repensar a forma como enxerga este sentimento, como esta pessoa é simbolizada em sua experiência de vida, e ter condições de poder recomeçar sua vida emocional, de modo a não ficar estacionado.

Você pode se lembrar com carinho para aquela pessoa, isso não é problema, pode sentir ainda saudades, ou seu coração bater mais forte com uma lembrança dela, isso não é problema: o problema é deixar uma ausência controlar sua vida.

É possível ressignificar estes sentimentos?
Sim, você precisará se exercitar bastante em relação a isto: se tiver um pouco mais maturidade emocional e resiliência para isto, pode conseguir com relativa facilidade, agora, se tal sentimento está dificultando a sua vida, pode ser que você precise de ajuda profissional. O que você está esperando?

Caso você preciso de orientação profissional para lidar com essa dificuldade emocional, entre em contato comigo pelo whatsapp (62) 98227-9511.

Desejo que você tenha uma vida feliz.

Sobre o autor:
Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com formação em Terapia de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Possui formações em Gestão, Empreendedorismo e Políticas pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil), Fundación Botín (Espanha), Fondattion Finnovarregio (Bélgica), Brown University (EUA) e Harvard University (EUA). Diretor do Instituto Psicologia Goiânia, psicólogo clínico e organizacional.

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