Psicólogo Murillo Rodrigues

Psicólogo (CRP 09/9447)| Professor | Pesquisador

Sobre mim

Olá

Me chamo Murillo Rodrigues

Um apaixonado pela mente e comportamento humano

Sou Psicólogo, Mestre em Psicologia, cursando meu Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura, com formações nos Estados Unidos, Chile e Europa. Diretor Executivo do Instituto Psicologia Goiânia

Sou professor em nível de pós-graduação, e atualmente desenvolvo pesquisas em psicologia com base no Pensamento Complexo. Fui Conselheiro do Conselho Regional de Psicologia do Estado de Goiás, onde presidi as Comissões Especiais de Psicologia Clínica e de Psicologia Organizacional e do Trabalho, da Gestão 2016-2019.

Como psicólogo clínico eu atuo por meio do desenvolvimento de psicoterapia para adultos, casais e famílias. Também faço trabalhos de desenvolvimento de habilidades pessoais e grupais, atendendo empresários, casais, famílias, grupos e gestores. Realizo diversos tipos de avaliações psicológicas e neuropsicológicas. Realizo trabalho para manejo de sofrimento afetivo, dificuldades de pensamento, problemas de relacionamento. Também ajudo empresários e empreendedores a romperem dificuldades em seus negócios.

O que eu faço?

Psicoterapia

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Desenvolvimento de Habilidades

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Consultoria e Mentoria

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Avaliação Psicológica

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Hipnose

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Supervisão Clínica

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Formação Acadêmica e Profissional

Universidade de Brasília (UnB)

2018-2022

Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura

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Harvard Univeristy - EUA / Universidad Autónoma de Madrid - Espanha

2017/2021

Complementar Studies in Education, Public Policies and Management

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Universidade Federal de Goiás (UFG)

2014-2016

Mestrado em Psicologia

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Brown University - EUA / Fundación Botín - Espanha

2013 - 2013

Liberal Arts Extension Studies

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Universidad Católica del Norte - Chile (UCN)

2013-2013

Formação em Terapia de Casais e Famílias

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Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás)

2009-2014

Bacharelado em Psicologia

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Textos, vídeos e outros conteúdos

Quando Deus veio deitar em meu divã



Um profissional de psicologia passa mais de 4 mil horas em uma universidade para receber uma formação de bacharel, estudando um conjunto de disciplinas que vão embasar a sua prática profissional: psicologia social, psicologia do desenvolvimento, psicologia da personalidade, psicologia clínica, matrizes do pensamento psicológico, etc. Mas alguns temas são relegados à periferia do conhecimento e da formação, e a religião é um deles.

Mas não dá pra culpar a faculdade por isto: são muitos campos de conhecimento que precisamos para compreender o humano, e eles passam por diferentes espaços e momentos da vida do sujeito: sexualidade, socialidade, afetividade, dentre outros campos, tomam grande parte de nosso tempo de formação.

Mas também temos um problema estrutural do pensamento psicológico: algumas matrizes de pensamento minimizam a importância do tema por conta de suas tradições filosóficas – algumas destas materialistas, outras declaradamente ateístas, e acabam por cair na militância política e não se debruçando academicamente sobre o tema.

Não é minha intenção neste texto discorrer sobre teses filosóficas sobre a existência ou não de Deus, nem incorrer em qualquer juízo de valor sobre a religião (se esta é boa ou ruim para o ser humano), mas sim mostrar o quão despreparados somos para lidar com esta temática.

Uma coisa que preciso deixar bem claro antes de prosseguir: a psicologia não deve ser utilizada como instrumento proselitista de nenhuma religião! Não é papel do psicólogo fazer apologia de doutrina ou dogma A ou B. Mas uma coisa é bastante importante – é preciso saber lidar com a demanda religiosa quando esta é trazida pelo cliente.

Mas como fazer isso? Se a única coisa que se ouve na faculdade é que “psicologia e religião não se misturam”? (e não devem se misturar mesmo!). Já supervisionei muitos profissionais de psicologia que, quando o cliente trazia uma demanda relacionada à sua vivência religiosa, eles cortavam o cliente e diziam que não iriam trabalhar com aquilo! Também já vi muito cliente procurando por psicólogo “evangélico” ou “católico”, só porque ninguém antes havia dado conta de lidar com carinho e deferência para com a sua fé.

Não se estuda comportamento religioso nas faculdades do Brasil: em pouquíssimas delas, meia dúzia, de centenas, talvez! E nós, que somos pesquisadores do tema neste país, ainda temos que nos deparar com os olhares preconceituosos de colegas que nem ao menos sabem do que isso se trata e acham que queremos pregar alguma fé para os nossos clientes. Quantas vezes, ao propor cursos de formações na área já tive que escutar e ler gente falando que “ia denuncia ao CRP”... já vi até mesmos conselheiro de tal autarquia desconhecendo do que se trata.

Não podemos mais tapar o Sol com a peneira! Não dá mais para deixar a psicologia muda diante deste tema tão delicado que engloba a subjetividade social e cultural do nosso povo. E também não podemos deixar que colegas sejam enredados por propostas anticientíficas de psicologia cristã, psicologia espírita, psicologia de exu, ou qualquer coisa do gênero (isso não existe)!

Desde a fundação da psicologia moderna, enquanto ciência experimental proposta por Wundt em 1879, há estudos em psicologia da religião, e os mais diversos autores, clássicos e contemporâneos, passando por Freud, James e Skinner, por exemplo, já dedicaram parte de sua obra sobre o tema que, por mais que sejam escassas no Brasil, há publicações importantes sobre.

Mas mesmo diante de tanta dificuldade, foi um dos temas que mais me impressionou na faculdade: primeiramente porque eu tinha minhas próprias demandas à época, segundo porque vi que não era o único, terceiro porque percebi que havia muita riqueza nos estudos e trabalhos deste tema que eram de relevância em várias áreas da psicologia.

Então, certo dia, depois de formado, Deus veio deitar no meu divã...

E ele tinha diferentes formas, sendo que estas eram trazidas pelos relatos de um conjunto de clientes que, muitos deles, sem saber, sofriam por causa de crenças, pensamento e sentimentos que os atordoavam e tinham relações com seu contexto cultural e religioso.

Alguns clientes meus, ao deitar-se em meu divã, traziam seus relatos de abusos institucionais sofridos nas igrejas, de relações conflituosas com autoridades eclesiásticas, crenças disfuncionais relacionadas à religião, repressões de sexualidade vinculadas à conceitos religiosos, desconhecimento de sua própria fé, dentre outros.

Deus vinha cotidianamente me visitar em meu consultório, e ele vinha por meio da dor de quem acreditava nele, invisível, e muitas vezes mudos diante da incompreensão ou dificuldade afetiva de meus clientes.

Esse d(D)eus tinha várias caras: vinha por meio de Jesus, Jeová, Allah, dos Caboclos, Espíritos ou Orixás, e às vezes, vinha até mesmo em formato de energias cósmicas. Para mim não importava sua face, nem como ele se manifestava, só me importava que ele se manifestava na fé daqueles que me buscavam como ponte para uma melhor compreensão de suas dificuldades, angústias e problemas.

Mas como lidar com esse Deus de várias faces? Acolher, receber, conter, questionar, confrontar, perguntar, validar... vários são os momentos em que estive diante deste Deus, que às vezes, era até mesmo por mim desconhecido, outras vezes, parecia um parceiro de futebol, e em alguns momentos, era a mais pura expressão das projeções de meus clientes.

Receber Deus em um consultório não é uma tarefa fácil: (E)ele é a coisa que tem de mais sagrado na experiência de meus clientes, e precisa ser tratado com tal respeito... Por isso precisa ser estudado, ouvido, indagado, mas acima de tudo, respeitado!

E se você, é psicólogo ou estudante de psicologia, está lendo estas linhas, saiba que a minha intenção não é a de teorizar sobre a existência ou não de um ser superior, de um manda-chuvas do universo, mas a de situar a importância da fé e espiritualidade na vida do seu cliente que, indubitavelmente um dia lhe trará demandas desta ordem.

É preciso aprender um pouco mais sobre como este humano com que nós trabalhamos lida com o(s) seu(s) d(D)eus(es), deste que aprendeu ou construiu, experimentou ou projetou, enfim, não importa, o que importante é que consigamos fazer de nosso consultório um templo para a dor e o sofrimento daqueles que muitas vezes, nem neste d(D)eus, tão querido, conseguem suas respostas, afinal de contas, parafraseando Jesus de Nazaré, existem questões, dúvidas e perguntas que não se resolvem no nível da fé, mas sim no nível da abstração do pensamento humano: “à psicologia o que é da psicologia, a d(D)eus o que é d(D)eus”.

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Autor
Murillo Rodrigues dos Santos (CRP 09/9447)

Cristãos que sofrem



Infelizmente, algumas igrejas no país, especialmente aquelas de ramo pentecostal e neopentecostal possuem um discurso muito triunfalista em relação à vida, e isso é muito danoso para a maioria da população de um país que ainda carece de muitos recursos, tanto financeiros, quanto afetivos e educacionais.

Se você já ouviu uma destas frases, ao freqüentar uma igreja, você vai entender do que eu estou falando:

“Somos mais do que vencedores em Cristo Jesus”;
“Não estamos em Crise, estamos em Cristo”;
“Em Deus não há depressão”;
“Jesus nos chamou para reinar em vida”;
“Eu comerei o melhor desta terra”;
“Onde eu colocar a planta do meu pé eu conquistarei”.

Este é um conjunto de frases de efeito que são ditas nos púlpitos das igrejas brasileiras que, desprovidos de um contexto interpretativo da Bíblia, livro de fé dos cristãos, causam mais problemas do que geram algum tipo de iluminação espiritual. Mas é possível uma pessoa acreditar genuinamente em Deus e sofrer? É CLARO QUE SIM! E quero mostrar por meio de um conjunto de argumentos lógicos, e ainda vou citar os versículos da Bíblia que são ignorados pela maioria dos líderes religiosos.

“Daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”
Esta é uma passagem bíblica registrada no evangelho de Lucas 20:25, onde a tônica da mensagem é a necessidade de se fazer separação entre as coisas espirituais das coisas terrenas: ora, quão atual ainda é esta mensagem?! Existe muita gente que ainda confunde as coisas, atribuindo causas espirituais para coisas que são psicológicas.

O que tem de gente dentro das igrejas que ainda não fez a separação entre coisas psicológicas e coisas espirituais não está no gibi! O próprio Apóstolo Paulo no século I, lá por volta do ano 40 d.C. já fazia a separação entre corpo, alma e espírito:

“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” 1 Tessalonicenses 5:23

Ora, se o próprio Paulão de Tarso, estudado na literatura grega da época já separava o “joio do trigo”, porque você hoje, cheio de recursos tecnológicos e com conhecimento de sobra mão pode seguir o exemplo?

O homem tripartido
Sim, os hebreus de antigamente tinham uma representação psicológica a respeito do homem. Eles não espiritualizavam todas as coisas. Desde Moisés, que escreveu o livro de Gênesis por volta de 1400 a. C., já tinha uma ideia de que o homem era constituído de 3 partes: o corpo físico, em que faz alusão ao barro ou pó da terra; o espírito, que era composto de ar, em alusão ao sopro divino; e a alma, como resultado do encontro entre corpo e espírito.

“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” Gênesis 2:7

Ressalto que, no hebraico original deste texto, a palavra utilizada para “sopro” é a mesma para “espírito” (heb.: ruah). Então, há quase 3500 anos, os hebreus já tinha noção de que há uma separação clara entre espiritualidade e psiquismo. Mas, como o mundo da voltas...

... assim como muitos teólogos desprezaram a existência de um psiquismo humano, a ciência, em seu advento acabou por ignorar a possibilidade da existência de uma substância ou de um ente virtual diferente daquilo que se conhece por mente, consciência, inconsciente, alma, ou coisa do gênero. Os primeiros filósofos do mundo viam o homem em três partes, os últimos viam corpo-mente, em uma clara herança do dualismo cartesiano.

Mas hoje, feliz ou infelizmente, já existem correntes de pensamento filosóficas que adentraram a psicologia dando-nos a possibilidade de pensar o homem também como um ser espiritual. Mas como este assunto é bem longo, vou deixa para outro momento.

O homem e o sofrimento
O tema do sofrimento não é novo nas discussões a respeito de Deus. O próprio Moisés, ao escrever o livro de Gênesis, na narrativa sobre a expulsão do paraíso, fala sobre Deus amaldiçoando a humanidade ao sofrimento:

“E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. E a Adão disse: Porquanto destes ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida” Gênesis 3:16,17

Ou seja, a teologia do pecado nos fala que a humanidade foi condenada ao sofrimento. E a teologia da graça nos fala que a redenção veio por meio de mais sofrimento:
“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” Romanos 5:18

Logo, o sofrimento de Cristo veio para que, espiritualmente cessasse o sofrimento humano. MAS...
Isso não diz respeito ao sofrimento PSÍQUICO! Veja só:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” João 16:33

“Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições” Hebreus 10:32

“Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo” 1 Pedro 5:9

E para finalizar, ainda há um versículo que acho muito interessante, que diz o seguinte:

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” 1 Coríntios 15:19

Ou seja, as promessas teológicas de abundância, vitória, vida plena, são reservadas não a esta vida, mas à vindoura, para aqueles que acreditam nisto! Logo, aqui nesta terra o pau vai quebrar, a jiripoca vai piar e a bicho vai pegar! A humanidade precisa lidar com a dor porque, por meio dela é que se torna possível ter um contraponto para a utopia da felicidade abundante: se não houve tristeza, como saberíamos que existe felicidade?

Logo...
Não tenha preconceitos, se você identificar que existem questões emocionais que não estão muito bem em você, como dificuldades de relacionamento, ou um humor deprimido, problemas com ansiedade ou várias outras dificuldades, pense que não será com oração que você vai resolver isso!

Você pode ter alguém com quem se aconselhar em relação às suas questões espirituais, isso faz parte da convivência em uma comunidade religiosa, mas é importante que você procure um profissional que entende de coisas da mente também. Afinal de contas, já vimos que precisamos separar o espiritual do psicológico para aprender a lidar com o sofrimento.

Por tais coisas apresentadas é que preciso dizer: um cristão sofre porque é humano como qualquer outro, não possui um super poder só porque acredita em Deus... acreditar nisso é tolice, inocência ou arrogância. Mas assim como, para qualquer outra pessoa no mundo, a psicologia também está a serviço daqueles que acreditam em um Deus... você não precisa renunciar à sua fé para buscar apoio de um profissional de psicologia.

Lembre-se do que foi escrito:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” Romanos 12:1,2 (Grifos meus).
O culto à Deus é racional, e depende da renovação constante do seu entendimento, então, procure um psicólogo!

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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela PUC Goiás (Brasil), mestre em psicologia pela UFG. Doutorando em Psicologia Clínica e Cultura pela UnB.

O Santo Tapa de Francisco

Imagem: HANDOUT/VATICAN MEDIA/AFP


Viralizou no mundo inteiro o tapa que o Papa Francisco deu em uma fiel que o puxou pelo braço no Vaticano, durante a virada do ano 2020, o que acendeu em muita gente expressões do tipo: “Um representante de Deus não pode fazer isso”, ou “ele é uma farsa, como pode dar um tapa em alguém”... pobre Chico!

Imagine a cena: você está saindo do trabalho, acompanhado do seu avô de 83 anos de idade, e uma pessoa, com menos da metade da idade dele lhe dá um puxão e apertão que quase o derrubam, qual seria a sua reação emocional mais humana? RAIVA!

Como diria aquela música brasileira: “O papa é pop”, mas eu digo, é humano! E como todo bom humano está sujeito à toda reação possível que um humano possa ter. Nós somos recheados de emoções diferentes, que variam das mais às menos aceitáveis socialmente, mas todas elas são úteis para nossa sobrevivência.

Raiva e bondade podem caminhar juntas

Em se tratando de comportamento humano, as coisas não são sempre simples: “pessoas boas” pode fazer coisas más, e “pessoas más” podem fazer coisas boas! Aliás, o bom e o mal se confundem em muitos momentos e podem ser bastante relativos a depender da situação.

A questão é que temos uma representação social, uma ideia fixa de que um líder religioso deve seguir um determinado padrão, um protótipo que demonstra que este está moralmente acima de qualquer “leigo”. Essa crena é reforçada por um ideal cristão “franciscano” de bondade manifestada em pobreza, mansidão e serenidade, mas nem sempre a coisa foi assim.

Lembro-me de um episódio em que Cristo entrou no templo de Israel com um chicote na mão e quebrou todo mundo que estava lá na porrada! O cara chegou lá com um chicote, derrubou as mesas e armou o maior barraco:

“E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas” João 2:13-15

Mas esta história é muito pouco trabalhada no senso comum, de que até mesmo o Cristo teve seu “dia de fúria”. Isso significa que devemos parar de encarar a raiva como uma emoção terminantemente negativa! Ora, se até o Cristo, o Papa sentiram raiva, porque você também não pode?! Mas a verdadeira questão é: como você tem administrado a sua raiva?

Tem gente que engole a raiva, fazendo com que a mesma vire mágoa; tem gente que solta a raiva diuturnamente, tornando-se uma pessoa colérica e socialmente intragável. O que a psicologia tem nos ensinado é que a saúde não está na manutenção de nenhum destes pólos, mas em saber transitar entre os momentos em que é preciso colocar a raiva pra fora, e os momentos em que se precisa guardar.

E você, tem alguma ideia de como fazer isso? Se não tem, procure um bom terapeuta, ele pode te ajudar.

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Sobre o autor

Murillo Rodrigues dos Santos é psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil) com período sanduíche na Universidad Católica Del Norte (Chile), mestre em psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil), doutorando em psicologia clínica e cultura pela Universidade de Brasília (Brasil). Possui formações pela Fundación Botín (Espanha), Brown University e Harvard University (EUA).

Whindersson, depressão e o pensamento religioso fanático



É incrível que em pleno século XXI a gente ainda precise explicar por A + B que depressão não é falta de fé, falta de Deus ou coisa do tipo... Falo isso pelo fato de que, neste Brasilzão imenso, por mais que ainda tenhamos grandes bolsões de pobreza e dificuldades de acesso à comunicação, a grande maioria da população brasileira hoje ainda tem acesso à internet e várias outras fontes de informação.

Recentemente saiu uma notícia nas redes sociais de que o humorista Whindersson Nunes declarou estar “sem vontade de viver”, com “tristeza há alguns anos”, desabafando com os fãs, o que PODE SER sinal de depressão... bastou isso para eu presenciar uma quantidade enorme de comentários do tipo “ele está assim porque falta Deus”... e um monte de gente concordando... Ai meu pâncreas psicológico!

Dando uma leve “stalkeada” nos perfis que concordam com esta afirmação, é fácil perceber a expressão de uma rigidez psicológica que se manifesta por meio da expressão de tais pérolas preconceituosas... E não basta você mostrar para a pessoa as evidências, os estudos, mostrar, argumentar, falar: “ei cara, sou psicólogo, estudei isso por anos, tenho vários estudos e pesquisas que embasam o que estou falando”... a pessoa já fala “isso é falta de Deus no coração”... PUTA QUE PARIU! (Sem censuras!)

Me desculpe, leitor(a), mas SÓ COM UM GRANDE PUTA QUE PARIU para dar conta de tal postura! Se fosse somente falta de conhecimento, tudo bem, ninguém é obrigado a saber de tudo, mas em muitos casos isso chega ao limite da perversidade: a pessoa não faz a menor ideia do que está falando e já sai rapidamente com o dedo em riste para apontar a solução de “colocar mais Deus no seu coração”.

Para tentar mostrar o quanto isso é absurdo, vamos a alguns detalhes, e como eu sou pesquisador em PSICOLOGIA DA RELIGIÃO, eu vou usar a Bíblia, que 80% dos brasileiros dizem acreditar, para mostrar a falta de sentido destas falas.

Enquanto modelo filosófico, o cristianismo é claro em apontar a separação entre corpo, alma e espírito:

“Que o próprio Deus da paz vos santifique integralmente. Que todo o vosso espírito, alma e corpo sejam mantidos irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” I Ts 5:23

Ou seja, entendia-se já no século primeiro que corpo era uma coisa, alma era outra coisa e espírito outra, totalmente diferentes entre si.  E no próprio evangelho de Mateus, dizia-se que Jesus curava os enfermos, os loucos e os “possessos por demônios” (sic).

“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.
E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos, e ele os curava.” Mt 4:23,24

Quando o versículo fala em “lunáticos”, essa era a representação da época para “pessoas com doenças mentais”, ou pessoas que possuíam dificuldades psicológicas graves, e elas não estavam consideradas como físicas ou “endemoninhamento”. Não seria estúpido afirmar hoje que uma pessoa está com dor de dente por causa do demônio ou por falta de Deus?! Então porque algumas pessoas ainda insistem em afirmar isso para quem tem problemas de origem psicológica.

A depressão sempre existiu, mas nós somente a identificamos como doença recentemente. Há poucas décadas é que profissionais sérios, da psicologia, psiquiatria ou das ciências da saúde, em geral, tem trabalhado para compreender como se formam e se comportam as “doenças mentais” ou qualquer “transtorno” ou dificuldade psicológica grave. Por isso, o nome depressão foi dado para significar um conjunto de dificuldades que se organizam de uma forma muito específica por meio de sintomas na vida de uma pessoa.

Depressão não é uma simples “tristeza”, é um estado físico, emocional e social de falta de energia, desesperança e desânimo profundo. Um estado de angústia mortífero em alguns casos, que não tem a menor coisa a ver com “causas espirituais”. Exemplos disso são que muitos personagens religiosos passaram por dificuldades profundas, angústias mortíferas, ou mesmo a depressão que hoje conhecemos.

Antigamente, antes de termos a psicologia e a medicina enquanto ciências que estudam estes fenômenos psicológicos, também existia depressão, ela só não tinha este nome. Vamos aos exemplos bíblicos.

Davi foi um dos maiores expoentes da “angústia de morte”:

“Os cordéis da morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; encontrei aperto e tristeza” Sl 116:3

“Tristezas do inferno me cingiram, laços de morte me surpreenderam” Sl 18:5

Davi foi um exemplo de personagem perseguido, entristecido e amargurado em uma parte de sua vida, e se formos fazer um paralelo com o que conhecemos como depressão na atualidade, certamente ele seria um grande candidato a esta.

Outra personagem bíblica que parece ter passado por estado depressivo foi Noemi, sogra de Rute, que após ter perdido seu esposo e dois filhos para a fome, retornando para a sua terra acompanhada de sua nora, relata o seguinte:

“Porém ela lhes dizia: Não me chameis Noemi; chamai-me Mara; porque grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso” Rt 1:20

O profeta Elias também parece ter passado maus bocados, pois depois de uma longa jornada de enfrentamentos com a rainha de Israel, desanimou a ponto de pedir a sua morte para Deus:

“Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais” 1 Rs 19:4

Enfim, estes são apenas exemplos de personagens bíblicos que passaram por angústias psicológicas tão profundas que, olhando com o que temos hoje disponível nas ciências, poderíamos comparar com sintomas do comportamento depressivo.

Eu já disse em um texto anterior (Síndrome do Power Ranger Gospel) que os crentes (no sentido geral) precisam parar de ter o pensamento mágico que, a partir do momento em que passam a acreditar em Deus, se tornam indestrutíveis... A própria Bíblia é clara que “o que acontece ao justo, acontece também ao ímpio” (Ec 9:2)..

Enfim, moral da história, tanto os crentes quanto não crentes estão sujeitos à depressão... ela é uma moléstia relativamente comum na atualidade, e suas origem não tem nada a ver com a espiritualidade. Ela se origina no entremeio de fatores sociais (perdas, sentimentos de inacessibilidade, sentimentos de desesperança, dentre vários outros...) e biológicos (dificuldade na produção e ou captação de neurotransmissores como a dopamina, serotonina, noradrenalina, etc).

No fim, a fala de que, a depressão só se dá pela falta de Deus acaba por agravar ainda mais o problema: a pessoa que está passando por esta dificuldade acaba por sentir-se incompetente, e aprofunda-se em tristeza, raiva, medo e/ou desesperança, que são sentimentos perigosos e comuns para quem está em depressão. Por isso, não diga que depressão é falta de Deus, pessoas genuinamente religiosas podem também sofrer deste mal. E quando você fala isso, na verdade, está sendo mais um vetor de maldade do que do amor ao próximo, pense nisso.

Torço para que tudo saia bem com o Whindersson, e como acredito em Deus, peço para que Ele o abençoe e que lhe dê sensibilidade para buscar ajuda com um bom profissional da psicologia. E quanto a nós, que cá estamos labutando com a psicologia, nos resta tentar levar um pouco de conhecimento para desconstruir essas crenças disfuncionais que se tornam deletérias para sociedade: depressão não é falta de Deus! Sacou?!

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Imagem: Reprodução Instagram Whindersson Nunes

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Sobre o autor:
Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com formação em Terapia de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goias (Brasil). Doutorando em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (Brasil). Possui formações pela Fundación Botín (Espanha), Fondattion Finnova (Bélgica), Brown University e Harvard University (EUA). Psicólogo clínico, pesquisador em psicologia da religião. Diretor do Instituto Psicologia Goiânia.

A psicologia entre Jesus e o pé de goiaba



Essa semana ‘bombou’ nas redes sociais um vídeo em que a futura ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, relata uma experiência religiosa que teve na infância... segundo a futura ministra, na época, subiu em um pé de goiaba com a intenção de tomar veneno para se matar, mas que naquele momento lhe apareceu Jesus, subiu no pé de goiaba e a convenceu de não fazer aquilo.

Apesar de ser um relato comovente, pelo fato de uma criança estar em crise, vítima de um histórico de abusos, ter passado por uma experiência sofrida de conversão, há certo fundo cômico, que pelo que vi no vídeo do relato da ministra, até ela mesma parece explorar em sua pregação... tudo ok, se a coisa tivesse parado por aí.

A reação das redes foi imperdoável, acusando a ministra de “louca” ou outras coisas do gênero, e tudo isso, com o pano de fundo desta estar atrelada à figura polêmica do futuro presidente da república – o que serviu de munição para grupos políticos falarem contra a mesma. Eu não quero, e não vou entrar na dinâmica das narrativas políticas, não é a intenção deste texto.

Há milênios existe no mundo um fenômeno chamado de Teofania, que é quando indivíduos relatam a aparição da divindade ou de figuras correlatas (santos, anjos, etc) – na Grécia Antiga, quando os oráculos viam os deuses do Olimpo; entre os Hebreus, com Moisés no deserto por exemplo, em uma fenda sob uma rocha (Êxodo 33); com Juan Diego, em 1531, ao ver a virgem de Guadalupe na Cidade do México; as aparições da virgem de Fátima, em 1917, que reuniram mais de 50 mil pessoas em vigília... enfim, são vários os relatos.

Estes fenômenos, por diversas vezes, chamaram a atenção da psicologia: Wundt, o pai da psicologia experimental e da psicologia moderna foi um dos primeiros estudiosos da psicologia da religião; William James, pai da psicologia estadunidense, precursor do behaviorismo e professor de Harvard, tinha grande interesse por este e outros tipos de fenômenos, chegando a escrever um enorme tratado sobre o assunto (Varietes of religious experience)... O problema é que, quando a psicologia chega no Brasil, ainda entranhada com o positivismo biomédico, passa a estudar os fenômenos religiosos sob uma ótica de racismo científico, ao condenar o espiritismo afrobrasileiro à uma lógica psicopatológica (Masiero, 2002).

Os pretos e pobres brasileiros, que freqüentavam os terreiros de candomblé, eram vistos como loucos morais que precisavam ser domesticados e catequizados pela religião cristã... mas como o mundo dá muitas voltas... a psicologia ficou cada vez mais laica, e o estudo da religião passou a ser relegado à periferia deste campo de conhecimento (até hoje, olham torto para quem estuda psicologia da religião, acham que é por interesses religiosos, etc). E o feitiço virou contra o feiticeiro: qualquer manifestação religiosa passou a ser vista como um desvio da razão humana, como um produto socialmente feito pela fraqueza do indivíduo em lidar com a dura realidade da vida.

Ou seja, a experiência religiosa foi vista como fruto da “fraqueza humana”, e às vezes, cria-se que eram casos onde os sujeitos estavam doentes – daí a religiosidade virou domínio da psicopatologia. Foram anos e anos até que um conjunto de pesquisadores brasileiros começassem a desmistificar tal questão, ou mudar a forma de se olhar para o fenômeno religioso, dentre os quais cito Jorge Ponciano Ribeiro (2009), Adriano Furtado de Holanda (Holanda, 2015), Marta Helena de Freitas (Esperândio & Freitas, 2017), Valdemar Augusto Angerami-Camon (2008), Paulo Dalgalarrondo (2008) e Maurício da Silva Neubern (2013).

O que eu quero dizer com isso: é preciso olhar com mais empatia para o fenômeno religioso dentro da psicologia. Não por se acreditar ou não nele, mas simplesmente pelo fato de que precisamos ser politicamente coerentes. Vivemos falando em “aceitar a experiência do outro”, ou mesmo em fazer a “suspensão dos nossos preconceitos”, dentre inúmeras outras coisas que nos colocam em outro espaço para analisar as vivências do outro sem julgamentos morais ou preconceitos. Infelizmente não foi isso que vi nos últimos dias.

Simplesmente porque temos que encarar o fato que o “psicólogo médio” brasileiro conhece muito pouco ou quase nada sobre o estudo do fenômeno religioso, ou mesmo nem faz ideia de conceitos básicos às ciências da religião, como a noção de numinoso.

Enfim, precisamos olhar com mais empatia para a vivência religiosa dos indivíduos, para que não cometamos o equívoco histórico do racismo científico e da eugenia novamente, pois por mais estranho que possa parecer escutar que “Jesus subiu num pé de goiaba”, esta experiência parece ter sido uma fonte de integração da personalidade de uma criança que estava em uma viagem sem volta de desintegração da mesma... Precisamos aprender a colocar a psicologia entre Jesus e este pé de goiaba, para não dar explicações simplistas para fenômenos tão complexos como os da vivência religiosa.


Referências
Angerami-Camon, V. A. (2008). Psicologia e religião. São Paulo: Cengage Learning.

Dalgalarrondo, P. (2008). Religião, psicopatologia e saúde mental. Porto Alegre: Artmed.

Esperândio, M. R., & Freitas, M. H. (Orgs.)0 (2017). Psicologia da religião no Brasil. Curitiba: Juruá.

Holanda, A. F. (2015). Psicologia, religiosidade e fenomenologia (2ª Ed. Rev. Atual.). Campinas: Alínea.

Masiero, A. L. (2002). "Psicologia das raças" e religiosidade no Brasil: uma intersecção histórica. Psicologia: Ciência e Profissão22(1), 66-79.

Neubern, M. S. (2013). Psicoterapia e espiritualidade. Belo Horizonte: Diamante.

Ribeiro, J. P. (2009). Holismo, ecologia e espiritualidade: caminhos de uma gestalt plena. São Paulo: Summus.

Síndrome do Power Ranger Gospel



O título deste texto, ainda que engraçado, não tem a menor intenção de soar ofensivo, se for isso que você está pensando, mas o de demonstrar um tipo de sofrimento psicológico que afeta uma parcela significativa de pessoas que procuram o consultório de psicologia e que em muitos momentos não conseguem encontrar respostas às suas perguntas, e por pensarem que por possuírem uma fé em algum deus, devem sempre ter uma vida feliz, próspera e livre de problemas.

Por mais que se expresse em diferentes graus, o Brasil é um dos países mais religiosos do mundo: 64,5% da população é católica, 22,2% evangélica, 2% espírita, e apesar de as outras religiões não pontuarem significativamente no Censo 2010 do IBGE, o país é ninho de uma das maiores diversidades religiosas do planeta.

Os evangélicos, por exemplo, são a parcela da população que mais cresce no país, e se expressam por meio de várias denominações: algumas vão das mais históricas e tradicionais, outras das mais pentecostais ao neopentecostalismo. A questão é: existem traços culturais e/ou padrões de comportamento destas populações que são influenciados por fatores religiosos? Sim! É óbvio que sim!

O problema é que os fatores religiosos da formação de personalidade ou de padrões de comportamento raramente são estudados na psicologia, por simples preconceito pessoal ou acadêmico em muitos momentos, ou mesmo pelo desconhecimento das possibilidades: existe um ramo inteiro do conhecimento psicológico, chamado de Psicologia da Religião, que tem como objetivo estudar como se forma e se expressa o comportamento religioso dos indivíduos e grupos.

Justamente por entender um pouco deste assunto, depois de alguns anos de estudos e pesquisas, é que pude perceber na interface com a psicologia clínica, um tipo de padrão de comportamento muito comum entre os religiosos mais “pentecostais”, sejam católicos, evangélicos ou espíritas: o pensamento mágico de que por terem a fé A ou B se tornaram automaticamente imunes à algumas intempéries da vida.

Um exemplo clássico disso é o preconceito de uma parte de religiosos que pensam que depressão é “falta de fé”, e ainda depois de ouvirem padres, pastores e outros líderes religiosos dando seu testemunho de que precisaram de apoio psicólogo, geram pensamentos de que “talvez o pastor estivesse em pecado, afastado de Deus”. Isso é relativamente comum e assustador, de um ponto de vista técnico.

Mas como a gente que é “psicólogo da Silva” pode entender estes comportamentos? Tudo isso se deve a dois fatores: 1) Teologia distorcida; 2) Marketing de massa. O fator número 1 diz respeito à repetição contínua de frases como “somos mais do que vencedores em Cristo Jesus”, “em Deus não há crise”, “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” ou “Deus já decretou a vitória”, etc, etc, etc. Nós sabemos que nossos pensamentos são indissociáveis da nossa fala, e este tipo de repetição gera um pensamento mágico de indestrutibilidade que não se confirma na vida cotidiana, gerando um óbvio resultado de sofrimento psíquico na maioria das vezes. E, em relação ao fator 2, é preciso entender que existem muitas denominações religiosas que possuem marketing e interesses (até mesmo comerciais) bastante claros: mostrar para as pessoas que depois de ter entrado para aquela congregação a vida da pessoa se transformou em um passe de mágica.

Uma fé saudável é aquela que ajuda a pessoa entender que acreditar em Deus, Jesus, Buda, Maria, Maomé não significa ter um passaporte automático que te transporta para uma Disneylândia psicológica ou espiritual – a vida é um lugar de aprendizagem, e esta, muitas vezes, é recheada de angústia, dor e sofrimento. Repare que não estou escrevendo isso para desfazer da fé de ninguém, pelo contrário, a psicologia pode ajudar as pessoas a terem uma fé mais saudável.

A questão é que a gente precisa sempre lembrar de nossa condição humana e reconhecer as nossas dificuldades, saber que o sofrimento, a dor, dificuldade, as dúvidas e confusões virão em nossa vida, inevitavelmente. A questão é que podemos passar por tudo isso com uma postura aberta à aprendizagem e ao contato com o outro: será necessário pedir ajuda, “compartilhar as cargas”, pois o amor, o afeto, tem um poder curativo incontável.

Desta forma, o objetivo deste texto é lembrar que, mesmo que acreditemos piamente em algo, com sinceridade e bondade de coração, é preciso lembrar que a fé se aperfeiçoa também na dificuldade, e que é necessário ter uma postura empática para com a vida. Se você está sofrendo por algo, não se culpe, pode não ser “falta de fé”, pode ser apenas falta de perspectiva. E por isso a nossa missão, enquanto psicólogos é, mesmo que não acreditemos em nenhuma vírgula do que você acredite, respeitar e fazer o possível e o melhor para entender, acolher e te ajudar a aperfeiçoar, com toda ética, técnica, amor e cuidado.

Por isso, não tenha medo do psicólogo, assim como você não é um Power ranger, a gente também não é um vilão de desenho animado, e podemos te ajudar bastante. Boa sorte, e um abraço!
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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos (CRP 09/9447), psicólogo graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com formação em Terapia de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Doutorando em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (Brasil), com formações em Gestão e Empreendedorismo pela Fondattion Finnovarregio (Bélgica), Fundação Getúlio Vargas (Brasil), Fundação Estudar (Brasil), Brown University (EUA) e Harvard University (EUA). Diretor do Instituto Psicologia Goiânia. Conselheiro do Conselho Regional de Psicologia, onde preside as Comissões de Psicologia Clínica e de Psicologia Organizacional. Pesquisador em Psicologia da Religião. Atende adultos, casais, famílias e grupos com ênfase na Teoria da Complexidade.

Nem todo término de relacionamento é um fracasso afetivo




O interessante de ser psicólogo de casais é o fato de você ver e perceber muita coisa que existe em uma relação entre diferentes tipos de casais, e as crenças que existem nas pessoas em relação aos seus próprios relacionamentos, e uma delas é a de que um relacionamento só é bem sucedido se você chegar ao final da vida ao lado de uma pessoa que você jurou votos de amor eterno.

Nós vivemos uma sociedade romantizada, daquelas cujo nível de romantismo varia de crenças saudáveis sobre a vida a dois às fantasias disfuncionais sobre parceiros e relacionamentos idealizados que nunca poderão ser realizados. Isso ocorre, em grande parte, porque desde muito pequenos já somos ensinados por meio de contos de fadas de que encontraremos um príncipe ou princesa encantados e que viveremos felizes para sempre, e crescemos vendo filmes holywoodianos onde o galã encontra a mocinha e os dois passam por uma série de aventuras, etc, etc, etc.

Esse padrão de ensino afetivo-televisivo-conto-de-fadas ajuda a gerar uma crença disfuncional de que ter uma vida feliz em um relacionamento é ter ausência de brigas ou de tristezas, ou que a pessoa ideal será aquela que se encaixará perfeitamente no que somos e nos completará. Se você é uma pessoa que acredita nisso, eu tenho uma novidade para você: a vida não é um comercial de margarina onde todo mundo é lindo e sorridente.

É comum escutarmos nos consultórios de psicologia “nós dois somos muito diferentes”... BINGO! Isso é óbvio campeão! Todas as pessoas são diferentes, inevitavelmente, o que acontece é que algumas pessoas aprendem a fazer as diferenças serem respeitadas (ou toleráveis). Ser diferente não quer dizer ser incompatível!

Daí o fato de que não acreditar muito no fato de as pessoas dizerem que terminaram um relacionamento porque “éramos muito diferentes”, isso não é fato contrário a um relacionamento, é na verdade pré-requisito para se relacionar, pois estar com outra pessoa não significa abrir mão de sua singularidade. A questão é que casais terminam relacionamentos por uma série de motivos, e o objetivo deste texto não é dizer porque os casais terminam, mas talvez sobre como eles podem terminar.

O que Deus uniu o homem não separa

Vivemos em uma sociedade que dita e que opera em valores morais e culturais, e um deles advém dos votos de casamento que passamos a vida inteira escutando: “o que Deus uniu que o homem não separe”, e esta é uma das maiores queixas que escuto em casais que sofrem.


“A gente não se ama mais, mas estamos acorrentados em nossos votos de casamentos, juramos no altar, foi Deus que uniu a gente”

Independentemente de entrar no mérito da crença de alguém, meu objetivo não é questionar se você acredita que Deus une ou não une, mas o que eu quero colocar é o seguinte fato: na existência de um Deus, ser superior, soberano, etc, etc, etc, quem garante que foi ele que uniu um relacionamento? Só porque uma pessoa, ser humano mortal, feito de carne e osso, intitulado “sacerdote”, fez uma cerimônia ou ritual, para duas pessoas juntarem-se socialmente quer dizer que Deus uniu? Eu acho que não! E acho por alguns motivos:

1) Não existe uma “casta” de sacerdotes no cristianismo: a própria Bíblia, usada por 80% dos brasileiros em algum momento de suas crenças, é clara ao afirmar que na filosofia do cristianismo o sacerdócio é de todo o cristão, não somente do clérigo, ou seja, não há separação entre sacerdotes e leigos. Todos os cristãos são “sacerdotedes” diante de seu Deus, em um relacionamento pessoal de fé (I Pedro 2:9). Logo, não há em um padre, pastor, bispo, apóstolo ou qualquer que seja o nome, qualquer tipo de superpoder espiritual que ateste nada, o que me leva ao segundo ponto;

2) Ninguém é despachante celestial para atestar ou não a vontade absoluta de Deus, ou seja, não há uma pessoa que seja um cartorário executivo do céu para dizer quem Deus uniu ou não uniu. O que existe, na verdade, são pessoas que, como líderes religiosos, dedicam sua vida ao ensino doutrinário de questões relacionadas à fé, mas por uma questão de pura e simples organização institucional. Um “líder” religioso não é mais ou menos “poderoso” ou “íntimo” perante a divindade.

Logo, não é o simples fato de ter passado por um cerimonial com vestido e buquê, festa e juramento, que faz com que seu relacionamento seja aprovado ou desaprovado por Deus... o que existe é um relacionamento que está em constante fase de aprovação. Hã? Explico! O casamento ou um namoro, noivado, etc, é um processo em que as pessoas precisam entrar em constante processo de entendimento mútuo – a própria Bíblia, que é usada pelas pessoas mais resistentes e que vivem dizendo “o que pode e o que não pode” afirma que o relacionamento em um casamento, seja sexual ou não, dentro de um casamento, pode ser reprovável (Hebreus 13:4; I Pedro 3:7).

O que eu quero dizer com isso é o seguinte: muitas uniões são construídas sob fantasias de “como deveria ser” e na verdade, ao se deparar com a realidade, acumulam uma série de decepções que, não trabalhadas da forma correta geram intenso sofrimento psicológico. E tem muita gente pensando que ter um casamento abusivo faz parte de uma missão de “Deus para provar sua fé”, mas que no fim acaba sendo uma crença aprisionadora que gera sofrimento. O cristianismo tem como uma de suas bases filosóficas a liberdade e a leveza:

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” João 8:32

Tudo na vida tem começo, meio e fim; todo contrato tem um distrato: para alguns será a separação no leito de morte, para outros será uma separação longa e dolorosa em vida (às vezes de pessoas que estão juntas porém separadas de coração), para outros poderá ser uma saída madura e respeitosa: nem toda separação é fruto de uma frustração, mas pode ser de um processo de amadurecimento da compreensão que duas pessoas possuem de seus limites e de seus propósitos.

E quando a gente amadurece para a liberdade, aprende que uma promessa não significa uma prisão, então, mesmo tendo jurado qualquer outra coisa eterna, é melhor entender que tal juramento só faz sentido quando há sinceridade e amor suficiente para que isto seja levado adiante com legitimidade, e não como condenação à um sofrimento eterno. A liberdade e a felicidade estão acima de qualquer promessa.

Não escrevi este texto com o sentido de desafiar a crença de ninguém, mas de colocar um ponto de vista sobre uma questão polêmica, e que esta pode ser enxergada sob outro ângulo: nem toda separação é um atestado de fracasso emocional, mas pode também ser o momento em que criou-se consciência e maturidade do espaço de cada relacionamento em sua vida.
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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela PUC Goiás (Brasil), com formação em terapia de casais e famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil), com formações pela Fundación Botín (Espanha) e pela Brown University (EUA) e Harvard University (EUA).

A depressão no meio evangélico



Quem conhece meu trabalho sabe que uma de minhas linhas de pesquisa e atuação é na psicologia da religião, uma parte da psicologia que tem como objetivo compreender como acontece, se constrói e se processa o comportamento religioso das pessoas, e um dos pontos interessantes que eu tenho visto é o de alguns grupos religiosos que são acometidos por dificuldades psicológicas e que muitas vezes não encontram informações suficientemente claras.

Por isso eu gostaria de falar sobre um processo que tenho visto com freqüência, a depressão se alastrando no meio evangélico, e eu gostaria de trabalhar esta questão, já que esta população representa quase 30% dos brasileiros.

Quando falamos de evangélicos, é preciso fazer algumas distinções: são um grupo bastante heterogêneo, o que quer dizer que existem vários subgrupos que diferem de comportamento de forma visível – ou seja, nenhum evangélico é igual ao outro. Batistas são diferentes de presbiterianos, que são diferentes de assembleianos, que diferem dos freqüentadores da Igreja Universal, etc. Mas porque esta informação é importante? Pelo fato de que cada subgrupo possui um diferente sistema de símbolos, e isso influencia diretamente no emocional das pessoas a estes pertencentes.

Então vamos lá... a depressão é uma doença. Encontra-se na intersecção entre o biológico, o psicológico e o social, e é muito diferente da “tristeza” comum e simples que pode acometer qualquer pessoa. Atualmente não existem exames laboratoriais que sejam capazes de apontar o diagnóstico de depressão, mas este é feito por meio do que chamamos de exame psíquico que é realizado por um profissional habilitado em saúde mental (médico psiquiatra ou psicólogo), que também indicará uma prescrição terapêutica.

Podem existir diferentes sintomas no caso de depressão... o mais conhecido, e comum, é um sentimento de desalento, tristeza persistente, uma falta de vontade incapacitante para as atividades comuns do dia a dia. Cabe deixar claro que a depressão não escolhe um tipo específico de pessoa, e nem que ela é produto de algum tipo de fraqueza psicológica: ela acontece por um conjunto de fatores que, associados, geram um estado de dificuldade psicológica.

Mas porque eu quero falar deste caso, em específico no meio evangélico? Porque eu tenho percebido que ela tem sido sentida de forma muito mais intensa neste meio e, via de regras, poucas pessoas sabem que devem ou em que momento procurar ajuda. Isso acontece porque existem elementos simbólicos no meio evangélico que minimizam ou mascaram o diagnóstico da depressão.

“Crente pode ter depressão?”

Essa pergunta é frequente, e tem gente que acha que não... ter fé em um poder sobrenatural superior não te faz ter super poderes, e a filosofia do cristianismo não garante que cristãos serão isentos de sofrer dificuldades na terra:

“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós” Thiago 5:17a

Jesus, ao orar pelo seus discípulos:

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” João 17:15

Ou seja, o cinto também pode apertar sobre o lombo do crente, a dor pode chegar e as lágrimas podem cair... e, para além das convencionais tristezas da vida, pode também adoecer. A própria Bíblia, livro dos cristãos, dá relato de que Jesus chorou amargamente com “tristeza de morte” antes de ser crucificado (Mt 26:36-38).

Ou seja, a depressão pode acontecer com qualquer um:

“Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento” Eclesiastes 9:2

Mas porque muitos evangélicos não procuram ajuda?

Se uma pessoa está sofrendo, não consegue enxergar solução para seu problema, está tendo suas funções diárias prejudicadas, porque não procura ajuda? Vou listar algumas coisas que eu tenho percebido como motivos.

O primeiro grande motivo é o medo: alguns evangélicos chegam no consultório com medo de, durante a sessão de psicoterapia, serem convencidos de que Deus não existe, ou de que o psicólogo vá fazer alguma coisa para “influenciar” seu pensamento, ou de que este não irá compreendê-lo... este é um dos motivos mais comuns pelo qual ligam nas clínicas pedindo por um “psicólogo evangélico”. Temos que notar que, independentemente da religião do psicólogo, seja evangélico, espírita, católico, budista ou ateu, ele deverá atuar pautado na técnica psicológica e não em sua crença religiosa. Um psicólogo deve buscar ter condições de compreender a dificuldade de uma pessoa independentemente da religião à qual ela professa.

Vergonha do preconceito da comunidade. Isso acontece geralmente entre líderes religiosos, pastores, líderes de grupos, porque eles têm medo do que as pessoas vão pensar pelo fato de eles terem depressão. Alguns grupos religiosos pensam que algumas doenças são fruto de falta de fé, ou que é castigo divino, por isso, líderes estão muito mais sujeitos às pressões sociais dos grupos aos quais eles mesmos coordenam, e tentam, por isso, manter determinadas aparências para não terem sua fé questionada.

Algumas pessoas também não procuram ajuda porque acham que não precisam e que são autossuficientes, e que vão dar contas sozinhas... isso pode ser considerado orgulho. Sim, esta é uma característica relativamente comum em alguns grupos religiosos, onde existem algumas pessoas que não podem “dar o braço a torcer” e confessar que possuem fragilidades.

Desinformação... sim, o básico de sempre! Não saber o que é depressão, como ela se manifesta, ou o que fazer quando ela aparece. A falta de informação sobre ela, pensar que ela é uma simples tristeza que vai passar, afeta a forma como as pessoas agem e reagem diante desta dificuldade.

Incompreensão daquele versículo que diz que “somos mais que vencedores” (Romanos 8:37) que se refere à vitória da vida sobre a morte espiritual... Alguns cristãos muitas vezes extrapolam na interpretação deste versículo, levando ele para o lado mais material da vida, achando que este versículo é uma garantia de sucesso para tudo o que eles vão fazer na vida. Este é um tipo de pensamento meio “mágico”, que sabota a capacidade de alguns cristãos de lidarem com as frustrações comuns da vida. Logo, é preciso tomar consciência de outras possibilidades de interpretação das situações de sua própria vida.

E por último, uma coisa clássica no meio de alguns grupos religiosos: a dificuldade de separar o espiritual, do físico e do psicológico. Tem gente que ora Deus dar dinheiro para elas, e esquecem de trabalhar para ganhar dinheiro; tem gente que deixa de tomar medicamentos, pensando estar seguindo as orientações divinas e dando um passe de fé, e acabam piorando doenças físicas; e tem gente que pensa que dificuldades psicológicos se resolvem na base de rituais... é preciso separar cada coisa: o que é espiritual, que seja tratado de forma espiritual; o que físico, de sua forma; e o psicológico de sua forma também. Note que eu não estou dizendo que o Deus que você acredita não tem o poder para resolver qualquer coisa, só estou dizendo que você precisa fazer a sua parte primeiro para depois ele fazer a Dele.

Se você é um cristão e está com dificuldades psicológicas, não transfira para Deus a sua responsabilidade, aquela que vem com seu livre arbítrio para decidir sobre a sua vida. Se você precisa de ajuda profissional, porque não a procura? Caso você se identifica com alguma destas dificuldades acima listas, reflita se não está na hora de promover uma mudança na vida psicológica para ter aquela sensação de bem estar que você tanto procura?

Se você entendeu esta mensagem, e se convenceu que precisa de ajuda... basta entrar em contato com um profissional de sua confiança... agora, se você quiser conhecer meu trabalho e fazer uma avaliação de seu caso, entre em contato pelo whatsapp (62) 99446-3122.

Desejo a você toda saúde e felicidade possíveis.

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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447), mestre em Psicologia, psicoterapeuta e consultor empresarial. Pesquisador em psicologia da religião. Diretor do Instituto Psicologia Goiânia.

Eu nunca consegui te esquecer... mas preciso, urgentemente!



Era o primeiro dia de aula de João no cursinho pré-vestibular, um menino de 16 anos de idade, que acabava de chegar a sua escola nova e não conhecia ninguém, em um dia que nunca mais seria esquecido: ela a conheceria!

Ela entrou pela porta da sala de aula, com uma blusa cor de laranja e os cabelos tão negros quanto a escuridão da noite: ali acontecia, naquele momento, algo estranho – ele nunca tinha olhado para uma garota como havia olhado para ela antes. Uma jovem baixinha, bonita, com o sorriso encantador. As defesas de João logo se levantaram: “deve ser chata, uma pessoa tão bonita assim não pode ser legal”. Engano o dele pois não precisou de duas conversas para saber que aquela pessoa era perfeita: simpática, educada, alegre e com um sotaque charmoso que ele nunca tinha visto – e que fazia o seu coração bater forte como nunca antes.

João era tímido, sabia que ele nunca teria chances com aquela pessoa, pois ela era algo tão sublime e intocável para ele que, qualquer coisa que ele fizesse nunca seria suficiente para dizer para ela aquilo que ele sentia. Depois de quase um ano convivendo com aquela jovem, João criou coragem, pois não aguentava mais conviver com aquele sentimento e se declarou: “você é o que de mais próximo da perfeição divina que há na natureza humana” – e falou de todos os seus sentimentos.

A pequena jovem havia ficado surpresa, porque não imagina que poderia despertar em uma pessoa um sentimento como aquele, e meio sem ter o que dizer, confortando João, deu-lhe o golpe emocional: eu tenho um namorado, e acabei de passar no vestibular de uma universidade em outro Estado, estou indo embora e vou me casar.

Martha era uma criança quando ainda estava na cidade do interior e conheceu um menino de que usava calças curtas e corria descalço pelas ruas da cidade rodando pneus velhos de carro e correndo atrás de pipas... com pausas esporádicas para jogar gude. Ela não tinha nenhum tipo de malícia, e com 8 anos de idade, fez este menino de cabelos encaracolados o seu amigo: eles iam para todos os lados, brincavam de salva cadeia, balança caixão, pique esconde... e cresceram felizes como amigos numa cidade do interior, até que um dia...

Duas semanas antes de fazer seu aniversário de debutante, Martha estava preocupada sobre como as coisas estavam começando a acelerar na sua vida: seu corpo estava mudando para contornos mais adultos, e apesar de ainda conservar um pouco da falta de malícia de adolescente que ainda tem o pôster de sua banda favorita no quarto, tinha em sua mente já desperta a preocupação do príncipe que a acompanharia em seu baile: haveria de ser alguém especial.

Não precisou pensar muito até que se lembrasse do já não pequeno garoto de cabelo encaracolado, que agora estava já com algumas espinhas no rosto e com o cabelo espetado com um topete moderno: ele era seu melhor amigo, sabia de tudo o que ela gostava, e a fazia rir o suficiente para que ela não ficasse tão nervosa a ponto de tropeçar em seu vestido durante a valsa. “Você quer se o meu príncipe do baile?”, perguntou Martha ao jovem em uma noite em que estavam juntos passeando pela praça da cidadezinha do interior (sim, parecendo aqueles filmes clichês, mas a vida tem muitos clichês), ele disse que sim, e a surpreendeu com um inesperado beijo.... “Você é meu amigo”... “Mas amigos também beijam”, respondeu o jovem.

Apesar do susto inicial, Martha gostou daquela iniciativa, e passou a semana toda pensando naquilo, apesar do fato de que o jovem, ainda que gostasse de Martha, parecia estar agora descobrindo um pouco sobre as malícias da vida: continuava sendo um bom garoto, bom companheiro, mas parecia estar mais interessado em descobrir as novidades da adolescência daquele período.

Passou o aniversário, os jovens “ficaram” por três meses até que chegasse a notícia: estou indo para a capital, e não nos veremos mais a partir de amanhã. Em uma época em que não existia internet, e que a comunicação era tão mais difícil, aquele havia sido o decreto para o fim daquele relacionamento... que Martha sempre levaria consigo.

O que há de comum entre estes dois personagens?
Eles amaram, se apaixonaram e por algum motivo do destino não puderam viver estes sentimentos conforme as suas expectativas ou vontades, e ficaram com um sentimento que parece nunca ir embora...

O tempo passou e saudade aumentou, de vez enquanto ainda encontram algum resquício da vida daquelas pessoas queridas, ou mesmo recebem notícias distantes a respeito delas, até sonhando em alguns momentos com estas pessoas. No passado já, inclusive, choraram por elas, mas descobriram que as lágrimas, de alguma forma não mudariam a sua situação.

Esta situação vividas por estes dois personagens fictícios, pode ter semelhança com a vida de algumas pessoas (talvez até da sua que está lendo este texto), ainda que não nas circunstâncias mas no sentimento, e isso deve nos levar a refletir sobre...

O que fazer para esquecer uma pessoa que tanto amei


“Como é que eu posso ser amigo de alguém que tanto amei, se ainda existe aqui comigo tudo dela, e eu não sei” Chitãozinho e Xororó

Só se você tiver amnésia, minha amiga e meu amigo... Esquecer uma pessoa, situação ou sentimento que foi relevante em nossa vida é algo muito difícil: nem mesmo em casos de hipnose se consegue fazer isso em muitos momentos, por um fato simples que explico no próximo parágrafo (tenha paciência para ler, não escrevo de forma muito linear).

Essas pessoas mexem com todo o sistema simbólico e afetivo da vida daqueles que as amam – não pelo fato de serem seres iluminados, mas porque são contingencialmente desenvolvidas para preencher todos os pré-requisitos que foram forjados no inconsciente de seus crushes.

“Como assim?”

Desde que nós nascemos, vamos nos desenvolvendo com base nas relações que estão ao nosso redor, e as nossas fantasias a respeito de como será a nossa vida começam desde muito cedo: lemos nos contos de fadas que o príncipe encontrará a princesa em seu cavalo branco e que haverá algum incidente durante a história que deverá ser superado para que estes possam viver felizes para sempre. E para além dos contos de fadas, aprendemos também com as relações de nossos pais, ou de pessoas que admiramos e que serviram de modelos para nós....

Depois disso, vem os nossos amigos, a mídia com seus ideias de beleza, e muitas outras coisas que vão gerando expectativas em nós, que se “internalizam” de uma forma a gerar padrões e expectativas que muitas vezes não são acessíveis de forma direta à nossa consciência.... ou seja, nós não sabemos porque somos atraídos por aquela pessoa, só nos SENTIMOS ATRAÍDOS POR ELA.

Mas este sentimento, obviamente não vem do nada, e não permanece do nada: temos que encontrar uma pessoa boa o suficiente para nos mostrar que nós encontramos uma possibilidade real de amar alguém... mas é neste ponto, diante da impossibilidade de consumar o sentimento com a pessoa amada, que temos duas escolhas:

ESCOLHA 1: FICAMOS OBCECADOS NA PESSOA, OU;

ESCOLHA 2: RESPEITAMOS A LIBERDADE DESTA PESSOA ESCOLHER.

Você está obcecado em alguém?
Se você quer aquela pessoa a todo o custo e faria tudo para estar com ela, tome cuidado: não há nada de romântico nisso! Minha experiência enquanto psicoterapeuta e enquanto ser humano me mostra que todo amor passa pelo crivo da liberdade e da responsabilidade, ou seja, se você precisa desrespeitar a pessoa em suas escolhas (de estar ou não com você), precisa tramar situações para fazer aquela pessoa te querer, largar de seu namorado, esposa, há algo de perigoso e estranho nisso!

Aprendi de uma grande professora que o amor é um exercício de encontro: você precisa encontrar e ser encontrado no mundo, não basta somente encontrar a pessoa, ela também deve te encontrar. Se por acaso isso não acontecer, pense na opção numero dois...

Amar sem esperar nada em troca
Simplesmente aprenda a ressignificar sua forma de ver o amor, pois ele pode estar muito contaminado por um ideal pintado pela mídia: os sentimentos não precisam ser irracionais ou estar em um eterno conflito com seus pensamentos/racionalidade – é preciso sentir, mas com responsabilidade.

Logo, ao invés de pensar “meu Deus, eu perdi aquela pessoa, nunca mais vou ser feliz”, você pode fazer um exercício de cultivar outros pensamentos como “sou muito feliz por esta pessoa, mesmo que distante de mim, esteja feliz” ou “o simples fato desta pessoa existir é suficiente pois o universo precisa de sua beleza/bondade (ou qualquer outro adjetivo) para ser melhor”.

Ou seja, é possível sim amar uma pessoa, sem cobiçá-la ou mesmo sem estar apaixonado com os quatro pneus travados e arriados por ela. Viva simplesmente na esperança de que aquela pessoa será feliz e que viverá bem, quem sabe assim você não deixa de alimentar pensamentos obsessivos e se abre para outras possibilidades de conhecer outra pessoa legal e aprender a ter um novo amor.

E daí que vem a diferença

Nem todo amor é igual...


Alguns amores são mais maduros, outros intempestivos, outros são sofredores, alguns são inseguros, outros não. Mas todo amor é altruísta, é um ato de entregar-se para o outro.

A língua portuguesa, infelizmente, é muito pobre para expressar a diversidade conceitual que existe por trás da palavra amor, e eu fui encontrar bons exemplos para isso lá no grego antigo, que diferenciava pelo menos quatro formas básicas de amor:

·         Eros: um tipo de amor sexual, geralmente ligado aos desejos corpóreos, e que era expressado de forma mais libidinosa entre um casal. Desta palavra que se origina o termo “erótico”.
·         Phileo: é um tipo de amor ligado à fraternidade, ou seja, à amizade entre os seres humanos, a uma comunhão entre amigos que são quase irmãos.
·         Ágape: era considerado uma forma de amor de uma pureza divina, desprovida de interesse segundos, altruísta.
·         Storge: um tipo de amor que era ligado dos pais para com os filhos, a sua prole.
Ou seja, desde a Grécia antiga que já se sabia que nem todo amor era igual, mas o que ocorre é que em nossa sociedade moderna, de fala portuguesa, esta diferenciação não parece tão clara. E para além destes tipos de amor, o grego ainda conhecia um tipo de vocábulo conhecido como “Epithumia” que era um tipo de desejo que de tão forte fazia as pessoas cometerem sandices para a realização deste.

Desta forma, o que estou querendo dizer com isso, é o fato de que você não precisa esquecer uma pessoa para viver bem com seus sentimentos, mas que você pode repensar a forma como enxerga este sentimento, como esta pessoa é simbolizada em sua experiência de vida, e ter condições de poder recomeçar sua vida emocional, de modo a não ficar estacionado.

Você pode se lembrar com carinho para aquela pessoa, isso não é problema, pode sentir ainda saudades, ou seu coração bater mais forte com uma lembrança dela, isso não é problema: o problema é deixar uma ausência controlar sua vida.

É possível ressignificar estes sentimentos?
Sim, você precisará se exercitar bastante em relação a isto: se tiver um pouco mais maturidade emocional e resiliência para isto, pode conseguir com relativa facilidade, agora, se tal sentimento está dificultando a sua vida, pode ser que você precise de ajuda profissional. O que você está esperando?

Caso você preciso de orientação profissional para lidar com essa dificuldade emocional, entre em contato comigo pelo whatsapp (62) 98227-9511.

Desejo que você tenha uma vida feliz.

Sobre o autor:
Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com formação em Terapia de Casais e Famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Possui formações em Gestão, Empreendedorismo e Políticas pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil), Fundación Botín (Espanha), Fondattion Finnovarregio (Bélgica), Brown University (EUA) e Harvard University (EUA). Diretor do Instituto Psicologia Goiânia, psicólogo clínico e organizacional.

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