Psicólogo Murillo Rodrigues

Psicólogo (CRP 09/9447)| Professor | Pesquisador

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Santo Tapa de Francisco
Imagem: HANDOUT/VATICAN MEDIA/AFP


Viralizou no mundo inteiro o tapa que o Papa Francisco deu em uma fiel que o puxou pelo braço no Vaticano, durante a virada do ano 2020, o que acendeu em muita gente expressões do tipo: “Um representante de Deus não pode fazer isso”, ou “ele é uma farsa, como pode dar um tapa em alguém”... pobre Chico!

Imagine a cena: você está saindo do trabalho, acompanhado do seu avô de 83 anos de idade, e uma pessoa, com menos da metade da idade dele lhe dá um puxão e apertão que quase o derrubam, qual seria a sua reação emocional mais humana? RAIVA!

Como diria aquela música brasileira: “O papa é pop”, mas eu digo, é humano! E como todo bom humano está sujeito à toda reação possível que um humano possa ter. Nós somos recheados de emoções diferentes, que variam das mais às menos aceitáveis socialmente, mas todas elas são úteis para nossa sobrevivência.

Raiva e bondade podem caminhar juntas

Em se tratando de comportamento humano, as coisas não são sempre simples: “pessoas boas” pode fazer coisas más, e “pessoas más” podem fazer coisas boas! Aliás, o bom e o mal se confundem em muitos momentos e podem ser bastante relativos a depender da situação.

A questão é que temos uma representação social, uma ideia fixa de que um líder religioso deve seguir um determinado padrão, um protótipo que demonstra que este está moralmente acima de qualquer “leigo”. Essa crena é reforçada por um ideal cristão “franciscano” de bondade manifestada em pobreza, mansidão e serenidade, mas nem sempre a coisa foi assim.

Lembro-me de um episódio em que Cristo entrou no templo de Israel com um chicote na mão e quebrou todo mundo que estava lá na porrada! O cara chegou lá com um chicote, derrubou as mesas e armou o maior barraco:

“E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas” João 2:13-15

Mas esta história é muito pouco trabalhada no senso comum, de que até mesmo o Cristo teve seu “dia de fúria”. Isso significa que devemos parar de encarar a raiva como uma emoção terminantemente negativa! Ora, se até o Cristo, o Papa sentiram raiva, porque você também não pode?! Mas a verdadeira questão é: como você tem administrado a sua raiva?

Tem gente que engole a raiva, fazendo com que a mesma vire mágoa; tem gente que solta a raiva diuturnamente, tornando-se uma pessoa colérica e socialmente intragável. O que a psicologia tem nos ensinado é que a saúde não está na manutenção de nenhum destes pólos, mas em saber transitar entre os momentos em que é preciso colocar a raiva pra fora, e os momentos em que se precisa guardar.

E você, tem alguma ideia de como fazer isso? Se não tem, procure um bom terapeuta, ele pode te ajudar.

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Sobre o autor

Murillo Rodrigues dos Santos é psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil) com período sanduíche na Universidad Católica Del Norte (Chile), mestre em psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil), doutorando em psicologia clínica e cultura pela Universidade de Brasília (Brasil). Possui formações pela Fundación Botín (Espanha), Brown University e Harvard University (EUA).

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