Psicólogo Murillo Rodrigues

Psicólogo (CRP 09/9447)| Professor | Pesquisador

sábado, 8 de abril de 2017

Um empregador sempre vai pagar o menor que puder?

É muito complicado para quem trabalha com consultoria empresarial, recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, com uma postura menos assistencialista ou paternalista ter que ficar escutando a máxima: "o patrão é explorador, vai sempre querer pagar menos para os funcionários".

Patrões e empregados querem, via de regras, a mesma coisa: ganhar dinheiro! O que acontece é que existe uma diferença estrutural na forma como o fazem. Patrões, como diz a análise marxista, geralmente são donos dos meios de produção, e empregados são donos da força de trabalho. Apesar de que algumas pessoas, envolvidas por uma espécie de frustração travestida de marxismo, gostarem da bravata selvagem de que as relações de trabalho se dão por meio da exploração (e geralmente não apresentam muitos bons argumentos para isso, ou mesmo ignoram a dialética, que ironia). Eu prefiro pensar que as relações se dão por meio de trocas, e estas são baseadas em decisões de indivíduos livres (condicionados, porém livres) com mais ou menos racionalidade.

Como a reclamação se transformou em uma espécie de esporte nacional do brasileiro médio frustrado, ficou bem fácil pintar a figura do patrão malvadão que segue o capitalismo selvagem à risca, querendo pagar cada vez mais barato e exigindo cada vez mais produtividade, explorando seus funcionários. Geralmente quem faz esta crítica nunca abriu, auditou ou às vezes trabalhou em posições estratégicas dentro das mesmas.

Não estou dizendo que não existem relações de exploração no meio de trabalho, longe disso, existem, e muito! Mas o que quero dizer é que não podemos fazer uma análise tão simplista e unidirecional da coisa. Tanto patrões, quanto empregados, exploram! Sim, existe uma leva de empregados que exploram os recursos de suas empresas, muitas vezes de forma ilegal, ou mesmo abusam das relações de trabalho para, simplesmente, submeter seu chefe à um processo na justiça do trabalho e com isso lucrar algum dinheiro. E também existe o patrão que submete o empregado à condições insalubres, assedia moralmente, e quer pagar o pior possível.

O problema está na generalização: existem patrões e patrões, empregados e empregados, empresas e empresas! Será que é tão difícil enxergar isso?! "Ah, mas o Brasil tem uma cultura de patrões exploradores", assim como tem uma cultura de samba, e nem por isso estou cantando Jorge Aragão ou Bezerra da Silva aqui em Goiás.

No mundo real, onde existe competição empresarial, longe do oligopólio, dos cartéis e das regulamentações estatais abusivas, uma empresa precisa ter algumas coisas para sobreviver, crescer e gerar emprego e renda para o país: precisa ter um bom estoque (ou portfólio de serviços), precisa ter bons preços, precisa ter qualidade no que faz, um bom marketing, uma boa comunicação, mas acima de tudo, precisa ter um bom time! Os Recursos Humanos de uma empresa são o seu coração, e geralmente o fator que a diferencia de todos os demais. O que isso quer dizer?

Um das coisas que isso quer dizer é que: FUNCIONÁRIO BOM CUSTA CARO! Sim, geralmente baixos salários atraem funcionários com baixo perfil de desempenho, o que gera mais custo e menos produtividade para qualquer empresa. Logo, se Funcionário A, com baixa qualificação e experiência, e com um perfil comportamental não compatível com a empresa, custa R$ 1000, e devolve de lucro para a mesma R$ 3000, e se funcionário B, com boa qualificação, experiência e perfil comportamental afim aos valores da empresa, custa R$ 5000, mas devolve R$ 40000, o que você pensa que é mais lucrativo para o patrão? Manter um time grande (e consequentemente mais dispendioso) com baixo potencial, ou ter um time menor e que gera mais lucro? Por lógica, o menor! Mas daí você me diria: "Ah, mas ele quer um time menor para gastar menos e assim ter mais lucro"... é claro que queremos lucro, cara pálida, todos! Mas o que importa é o que se faz com tal lucro - um empresário inteligente transforma o lucro em investimento e forma novas empresas e mantém a engrenagem do crescimento da economia girando e empregando mais trabalhadores.

Acredito que algumas pessoas precisam entender que trabalho não é caridade, e patrão ou empregado não tem a obrigação de dar nada para ninguém: ambos devem se preparar para o mercado, estabelecer relações cordiais de respeito, montar uma equipe coesa e ambos enfrentarem os desafios do mercado.

"Mas, Murillo, porque afinal de contas as empresas pagam tão mal, mesmo assim?". Vários podem ser os motivos: 1) Excesso de regulamentação estatal, que eleva a carga tributária das empresas e impede o aumento exponencial de salários; 2) Falta de educação empresarial, que faz com que patrões com baixo preparo e entendimento de princípios de mercado ainda insistam em práticas capitalistas arcaicas do século XIX; 3) Falta de preparo da grande massa de trabalhadores, pois bons empregos geralmente existem, mas ficam nas mãos de pessoas mais especializadas, ainda que sejam de estrangeiros; 4) Falta de cultura empreendedora, pois qualquer um que estiver insatisfeito com seus ganhos poderia facilmente se aventurar no mercado (se tivéssemos condições adequadas para isso óbvio, pois isso no Brasil é quase um suicídio).

Enfim, o que quero dizer com este texto é que as coisas no mercado de trabalho não são tão simples assim, existem relações de troca e de exploração, claro, mas geralmente a questão da remuneração não é definida somente pelo empresariado. Precisamos, na verdade, criar um país com melhores condições de empreendedorismo, e com mais oportunidade de capacidade das grandes massas de trabalhadores e também educar alguns patrões, que ainda tem a cabeça no século XIX. Desta forma, é somente pensando complexamente o conjunto da obra que poderemos deixar de buscar soluções simplistas e messiânicas.
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Imagem: Extraída do Google Imagens.

Sobre o autor

Murillo Rodrigues dos Santos, é psicólogo (CRP 09/9447), graduado pela PUC Goiás (Brasil), com formação sanduíche pela Universidad Católica del Note (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (EUA) e Fundación Botín (Espanha). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Psicólogo Clínico e Organizacional, coordenador do Projeto Psicologia Goiânia.

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