Psicólogo Murillo Rodrigues

Psicólogo (CRP 09/9447)| Professor | Pesquisador

quarta-feira, 1 de março de 2017

Psicólogo(a), é hora de se livrar dos planos de saúde


Você, que já é ou quer ser psicólogo(a) clínico(a), já pensou em atender por planos de saúde? Se sim, você não está longe da média nacional, pois esta é uma das formas mais utilizadas pelos profissionais da psicologia para começar a se estabelecer na área clínica. Mas neste texto eu quero abordar um problema que muitos, se não pensaram, precisam pensar, ou talvez não tenham coragem de abordar diretamente: os planos de saúde não são, nem de longe, a melhor forma de se trabalhar com psicologia clínica!

Então, deixe-me expor alguns problemas para você: você acabou de se formar, está empolgado com a possibilidade de começar a clinicar, paga a sua anuidade do Conselho, entra em contato com uma clínica para começar a atender e, de repente, vem a possibilidade de atender por plano de saúde... você, de cara aceita, afinal de contas, quem pode recusar clientes?

De repente você cuida de toda a papelada para se cadastrar no plano de saúde, e quando já está com quase tudo pronto, descobre o valor de tabela que o plano paga: R$ 17,50 por consulta! Você fica desapontado! Estudou anos de sua vida para receber R$ 17,50 por consulta... mas logo pensa, "calma, deve ser só esse, vamos tentar outros"... daí percebe que as tabelas de planos de saúde pagam R$ 15,00; R$ 28,30 ou quando paga muito bem R$ 37,90... desanima novamente! Afinal de contas, você se lembra de quanto era caro o boleto que você pagava nas mensalidades de sua graduação ou pós.

Só que você está começando, ou recomeçando, e daí pensa: "Vou aceitar, isso é só o começo, não posso ficar parado!". Só que você não faz as contas de que, se atender pelo primeiro plano, o de R$ 17,50, você precisará de atender 100 sessões por mês para garantir menos de R$ 2 mil de salário, o que corresponde a ter 25 clientes deste plano. Ou seja, você precisará de uma jornada de 4 dias, atendendo 6 horas, para chegar a incríveis R$ 1750,00. Complicado, não!?

Mas de qualquer forma, você é uma pessoa humilde, e sabe que em tudo na vida a gente tem que começar por baixo, e se arrisca a entrar nesta dinâmica. Daí você começa a atender, mas percebe que não consegue lotar sua agenda, pois você não é o único psicólogo que atende por plano na região, e de repente percebe que vai demorar muito até ter os seus 25 clientes, mas daí começam os outros problemas.

Além de receber poucos clientes, e receber pouco dos planos de saúde, você começa a ter problemas com alguns planos: a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão do governo que regula o atendimento dos planos, garante ao cliente de psicoterapia o mínimo de 18 sessões, o que já é pouco para determinados procedimentos psicológicos, mas alguns planos não respeitam isso, por mais que esteja em lei - alguns limitam a 8, outros a 12 sessões. E para piorar, alguns planos de saúde só permitem que a pessoa faça psicoterapia se ela tiver um aval médico antes, ou seja, ela primeiro vai ao psiquiatra, e este permite ou não que ela faça terapia.

No caso da liberação médica, isso é no mínimo um desrespeito à autonomia do profissional de psicologia, pois este é que tem condições de realizar o diagnóstico necessário da necessidade ou não da pessoa fazer psicoterapia. Psiquiatras e psicólogos possuem formações e visões de sujeito totalmente diferentes, o que resulta em diferentes prescrições terapêuticas. Isso é tão grave que, desrespeitando a autonomia do psicólogo, o sujeita à "permissão" do médico, como se fôssemos seus meros assistentes, o que de fato não somos!

Mas a coisa não termina por aí, se o psiquiatra for um profissional que entende o valor do trabalho multiprofissional e respeita o trabalho da psicologia, ele irá liberar o indivíduo para a terapia, só que, alguns planos exigem reavaliações mensais para saber se a pessoa continua ou não na psicoterapia! Isso chega a ser ridículo, pois parece que o plano faz de tudo para o cliente não fazer psicoterapia. Mas isso ocorre com alguns planos, ok, não com todos! Mas infelizmente tem se tornado tendência: somente em em Goiânia já contabilizei 4 ou 5 que estão fazendo isso!

Mas para piorar, quando não ocorrem estes entreveros com os planos, você atende o cliente por 2 ou 3 meses, e no final, quando vai receber, alguns planos de saúde simplesmente Glosam as Faturas. O que isso quer dizer? Simplesmente o plano decide não te pagar as sessões porque você "preencheu um campo errado no formulário", "houve divergências nos dados do cliente", "faltou uma assinatura" ou mesmo "houve erros de digitação"... Enfim, você atende dois, três meses, para na hora de receber escutar um "ha há, glu glu ie ié"... parece brincadeira, mas não é.

E por último, um dos maiores problemas que tenho encontrado com amigos(as) psicólogos(as): o plano simplesmente atrasa o pagamento. Tem um plano de saúde em Goiânia que não paga os psicólogos conveniados desde Agosto de 2016 (estamos em Março de 2017). E simplesmente não dá previsão de pagamento.


Daí eu te pergunto: compensa passar por toda esta saga, trabalhar várias horas por semana, não ter flexibilidade de horário, ganhar pouco e ainda se submeter à esta burocracia? Eu te digo que não! Não é bom para o(a) psicólogo(a) se sujeitar a este tipo de situação, pois ele tem contas a pagar e quer viver bem fazendo aquilo para o que se formou. Mas tem outro jeito? Sim, tem!


Infelizmente o(a) psicólogo(a) ainda não aprendeu a trabalhar para ele mesmo! Ser profissional liberal, autônomo, patrão de si próprio. Mas isso ocorre porque o atual sistema de pensamento condicionou o psicólogo recém chegado ao mercado de trabalho a não dar conta de trabalhar por conta própria! Eu vejo e percebo isto de perto, pois desde que me graduei psicólogo tenho acompanhado uma centena de profissionais e percebido os erros e acertos de grande parte deles.

Se você quer romper com essa cadeia de pensamento e condicionamentos que te levam a uma lógica de trabalho empobrecedora, venha fazer parte de nossa equipe! Conheça o programa Start'Upsi, que vai trabalhar as habilidades de um grupo muito seleto de psicólogos para inserção no mercado clínico em Goiânia. Quer saber como funciona o projeto? Clique aqui.

Enfim, quero me despedir de você dizendo que há esperança, basta não se sujeitar às lógicas empobrecedoras do mercado e pensar fora da caixa. Eu estou te propondo uma alternativa para se livrar desta rotina cansativa e desvalorizadora. Se quiser, venha conosco, mas de qualquer forma, nos vemos lá na frente.

Boa sorte!
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Sobre o autor:

Murillo Rodrigues dos Santos, psicólogo (CRP 09/9447) graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (Brasil), com formação em terapia de casais e famílias pela Universidad Católica del Norte (Chile). Possui aperfeiçoamento profissional pela Brown University (EUA) e Fundación Botín (Espanha), com formações em gestão e empreendedorismo pela Fundação Finnovarregio (Bélgica), Fundação Estudar (Brasil) e Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (Brasil). Diretor do Projeto "Psicologia Goiânia".

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